Hoje, a redação vive um dia histórico. Após a adoção de bermudas pelos homens, ganhou adesão massiva o uso de papetes. Eles já suam na apuração e lutam ferozmente com as palavras para alcançar o texto perfeito. Não precisam torrar na hipocrisia da vestimenta de trabalho também. É digno e justo que eles, assim como as mulheres, possam deixar as pernocas e pés de fora nesse calor todo. Abaixo a ditadura dos tênis e calças jeans.
20.11.09
19.11.09
Depois de mais uma quinta tensa só penso em... corações?
É estranho. Há corações em que a gente entra sem querer ou sem perceber. Até mesmo sem se esforçar, principalmente assim. E há outros em que é impossível entrar. Nem que seja para sair logo depois.
Atalho
Às vezes eu tenho vontade de fazer alguma coisa completamente louca e mudar totalmente o rumo da minha vida. Mas sem tirar o jornalismo, porque disso eu gosto muito. É meio doentio, porque para mim está longe de ser uma profissão. É um modo de viver. Quanto à mudança, não precisa ser algo barulhento, para todo mundo ver e falar "nossa, como você mudou". Eu queria que nem notassem, seria bem melhor, porque eu não gosto de ter que explicar muitas coisas a meu respeito. Só quando eu sei que a pessoa está realmente interessada, o que é uma coisa difícil e muito compreensível. Eu queria, nessa nova vida, a aptidão para fazer escolhas melhores e mais fáceis. Porque eu sei que elas existem. Seria uma versão da minha vida, uma versão audaciosa. E com GPS.
17.11.09
Tente o divã, ela sempre diz
Minha analista tá falando cada vez menos e disfarçando o bocejo cada vez mais. Eu acho fofo ela disfarçar o bocejo. Ela faz força pra segurar mesmo. E eu olho pro lado ou pra baixo que é pra ela poder bocejar em paz. Eu não acho que ela esteja desinteressada. Talvez eu tenha me tornado uma paciente fácil. Ou muito impossível. Ou será que esse é o momento em que a gente pode dar tchau pro divã? No meu caso, é poltrona, porque eu nunca consegui me acostumar com essa ideia de não olhar pra ela. E lá se vão cinco anos de cheek to cheek. Toda vez eu acho que devia dar nova chance ao divã e parar de tratar as sessões como o confessionário do Big Brother. Aí, ela poderia bocejar em paz e eu poderia evoluir mais rápido, quem sabe, dentro daquela adorável sala.
x 3
Consegui sonhar o mesmo sonho com três pessoas diferentes. Não houve intervalo entre os sonhos. Era como se os jogadores fossem substituídos na partida. Fazíamos as mesmas coisas, meu pensamento era único. A presença de duas das pessoas faz sentido. Uma delas é a do ilustre mestre da humilhação, óbvio.
16.11.09
Anna Carolina Poe
Fantasmas. Há quem não acredite, há quem se assuste com eles apenas na ficção, há quem tenha parentes e amigos que já tiveram contato próximo com os descarnados. Esta pessoa sou eu.
Na verdade, não é bem uma habilidade. É o fascínio pelas histórias que me faz colocar o assunto em pauta, mesmo tendo dificuldades severas para dormir tranquilamente depois. É um pouco ridículo, eu sei.
Eu achava que a história mais impactante que eu tinha ouvido era a da priminha do meu amigo Dante, a Camila, empatada com a dos dormitórios mantidos por uma companhia de transportes terrestres, esta contada por um ilustre assessor de imprensa.
Porém, ouvi duas imbatíveis no fim de semana, ambas contadas em primeira pessoa. Estou com tanto medo, mas tanto medo que estou evitando olhar para janelas e portas, outra hora explico por que. Vejam. Se aconteceu com amigos meus, pode muito bem acontecer comigo. E se eu levar o episódio de Telêmaco Borba em consideração, até já aconteceu. Mas é que eu fui cagona e não quis conferir se “aquilo” era mesmo o que parecia.
Bom. A Camila é uma das crianças mais lindinhas que eu conheço, dona do sorriso mais gracioso da categoria. Ela deve ter uns quatro anos. Um dia, ela estava jantando, acho, quando começou a dar "oi", do nada, para alguém, toda simpática. Era ninguém menos do que seu avô. Que, preparem-se, havia falecido uma semana antes.
Essas coisas são tão misteriosas. Fico me perguntando absolutamente tudo a respeito. Como acontece, por que, quem vê, quem não vê, se é fé, se é loucura, se é sonho, se é fato. Ou se é apenas saudade. Daria um Globo Repórter inteiro.
A da companhia de transportes terrestres não tem nem o violetasnajanelafeelings#. E pode muito bem ter sido inventada, já que o próprio assessor não foi o personagem principal da trama, e sim “ouviu dizer”. Mas vou contar, porque adoro lendas urbanas. E as da roça também.
A tal empresa mantinha uma espécie de hotel para o descanso dos motoristas, que por lei, se não me engano, não podem dirigir por mais de x horas sem parar para dormir. Numa noite, um motorista parou em um desses locais. Foi à recepção, preencheu a papelada, pegou a chave e se dirigiu ao quarto.
Lá, havia mais um motorista em uma das camas. Foi aí que ele se deu conta de que tinha esquecido seus pertences e voltou. Só que ele esqueceu o número do quarto e foi perguntar. Disse ao cara da recepção que era o quarto onde havia mais um motorista. Eis que o interlocutor responde: você é o único registrado hoje.
Na verdade, não é bem uma habilidade. É o fascínio pelas histórias que me faz colocar o assunto em pauta, mesmo tendo dificuldades severas para dormir tranquilamente depois. É um pouco ridículo, eu sei.
Eu achava que a história mais impactante que eu tinha ouvido era a da priminha do meu amigo Dante, a Camila, empatada com a dos dormitórios mantidos por uma companhia de transportes terrestres, esta contada por um ilustre assessor de imprensa.
Porém, ouvi duas imbatíveis no fim de semana, ambas contadas em primeira pessoa. Estou com tanto medo, mas tanto medo que estou evitando olhar para janelas e portas, outra hora explico por que. Vejam. Se aconteceu com amigos meus, pode muito bem acontecer comigo. E se eu levar o episódio de Telêmaco Borba em consideração, até já aconteceu. Mas é que eu fui cagona e não quis conferir se “aquilo” era mesmo o que parecia.
Bom. A Camila é uma das crianças mais lindinhas que eu conheço, dona do sorriso mais gracioso da categoria. Ela deve ter uns quatro anos. Um dia, ela estava jantando, acho, quando começou a dar "oi", do nada, para alguém, toda simpática. Era ninguém menos do que seu avô. Que, preparem-se, havia falecido uma semana antes.
Essas coisas são tão misteriosas. Fico me perguntando absolutamente tudo a respeito. Como acontece, por que, quem vê, quem não vê, se é fé, se é loucura, se é sonho, se é fato. Ou se é apenas saudade. Daria um Globo Repórter inteiro.
A da companhia de transportes terrestres não tem nem o violetasnajanelafeelings#. E pode muito bem ter sido inventada, já que o próprio assessor não foi o personagem principal da trama, e sim “ouviu dizer”. Mas vou contar, porque adoro lendas urbanas. E as da roça também.
A tal empresa mantinha uma espécie de hotel para o descanso dos motoristas, que por lei, se não me engano, não podem dirigir por mais de x horas sem parar para dormir. Numa noite, um motorista parou em um desses locais. Foi à recepção, preencheu a papelada, pegou a chave e se dirigiu ao quarto.
Lá, havia mais um motorista em uma das camas. Foi aí que ele se deu conta de que tinha esquecido seus pertences e voltou. Só que ele esqueceu o número do quarto e foi perguntar. Disse ao cara da recepção que era o quarto onde havia mais um motorista. Eis que o interlocutor responde: você é o único registrado hoje.
12.11.09
O mini-dente e o peito peludo
Dormi quinze minutos a mais e tive dois sonhos muito compridos. E bizarros. Em um deles eu estava em um festão, desses com mesas cheias de comida chic. Eu me lembro de ficar salivando diante de um arroz com uvas verdes gigantes e uvas passas. Aí eu também me servi da versão integral do arroz, para expiar a culpa.
Corta.
Estou no banheiro, pensando na carne que acompanharia meu belo par de montinhos de arroz, e sinto meu dente amolecer. Coloco o dedo e ele está totalmente bambo. Arranco. E aí que só sai um pedaço do dente, de modo que eu fico com um mini-dente. E, para o meu desespero, todos os outros estão molengas. Só me lembro de pensar que não poderia me afogar em tanta comida boa.
O segundo sonho teve a ver com a maior humilhação de todos os tempos. Sofrida por mim, é lógico. Quer dizer, sonhei com a pessoa que arquitetou a humilhação. Ainda não sei se conto sobre ela aqui, pois minha desgraça se tornaria pública e registrada.
De todo modo, o mandante da humilhação tinha ido fazer faxina na minha casa (oi?), contratado pela minha mãe (oi??). E eu, evidentemente, estava de pijama e com o cabelo sujo e preso num coque de ficar em casa, que é pra marcar bem essa coisa da humilhação.
Num determinado momento, estou conversando com a minha mãe e o mandante. Estou meio chateada ou irritada, quero voltar para o meu quarto, acho. Aí, minha mãe tira a blusa e pede para eu não ir. Só que. Ela tem um peito peludo - e não há o menor sinal de seios ali. Descubro que a minha pequena mãe tem o tórax de um homenzinho. Mas não fico chocada. Apenas não entendo aquela revelação. Como se eu estivesse em uma aula de física quântica.
Corta.
Estou no banheiro, pensando na carne que acompanharia meu belo par de montinhos de arroz, e sinto meu dente amolecer. Coloco o dedo e ele está totalmente bambo. Arranco. E aí que só sai um pedaço do dente, de modo que eu fico com um mini-dente. E, para o meu desespero, todos os outros estão molengas. Só me lembro de pensar que não poderia me afogar em tanta comida boa.
O segundo sonho teve a ver com a maior humilhação de todos os tempos. Sofrida por mim, é lógico. Quer dizer, sonhei com a pessoa que arquitetou a humilhação. Ainda não sei se conto sobre ela aqui, pois minha desgraça se tornaria pública e registrada.
De todo modo, o mandante da humilhação tinha ido fazer faxina na minha casa (oi?), contratado pela minha mãe (oi??). E eu, evidentemente, estava de pijama e com o cabelo sujo e preso num coque de ficar em casa, que é pra marcar bem essa coisa da humilhação.
Num determinado momento, estou conversando com a minha mãe e o mandante. Estou meio chateada ou irritada, quero voltar para o meu quarto, acho. Aí, minha mãe tira a blusa e pede para eu não ir. Só que. Ela tem um peito peludo - e não há o menor sinal de seios ali. Descubro que a minha pequena mãe tem o tórax de um homenzinho. Mas não fico chocada. Apenas não entendo aquela revelação. Como se eu estivesse em uma aula de física quântica.
9.11.09
Limpar e limpar
Arrumei a minha lista de blogs linkados. Fiquei surpresa com a quantidade de blogs que:
- Morreram;
- Ficaram restritos a um seleto grupo de convidados do qual não faço parte;
- Não fazem mais sentido. (Não que não mereçam ser lidos.)
Alguns eu fiz questão de manter, mesmo mortos ou em novo endereço. Ligação afetiva. E para jamais esquecer da identificação ou perplexidade provocadas.
- Morreram;
- Ficaram restritos a um seleto grupo de convidados do qual não faço parte;
- Não fazem mais sentido. (Não que não mereçam ser lidos.)
Alguns eu fiz questão de manter, mesmo mortos ou em novo endereço. Ligação afetiva. E para jamais esquecer da identificação ou perplexidade provocadas.
7.11.09
Antes e depois de Paraty
Se eu topo viajar no feriado de Finados? Claro que sim. Engraçado que eu sempre reajo positivamente a convites feitos às pressas, mesmo os mais audaciosos, mas, no final, pode acontecer de eu não comparecer. E não me orgulho disso, mas de que adianta? A fama de furona existe, e com razão. Por isso, quando me vi dentro daquele ônibus, senti que tinha vencido pelo menos um desafio, o de descomplicar as coisas e fazer logo o que tenho vontade.
Éramos quatro e ficamos num hostel bem honesto, cheio de gringos. No nosso quarto, havia duas finlandesas. Falar com gente que eu nunca encontraria na rua é como sair do meu mundo por algum tempo. Definitivamente, terapêutico. Nunca havia tido um contato tão íntimo com pessoas de outro país, o que pode ser bem irritante se essas pessoas sempre deixam o banheiro cheio de areia da praia. De todo modo, foi legal poder falar bastante com as finlandesas sobre coisas prosaicas (uma delas revelou que não podia sair pra beber porque estava grávida), sobre sua opinião sobre o Brasil e dar dicas de passeios em São Paulo, como nos arredores da Augusta (faltou repertório na hora, é verdade).
Disseram pra gente que as finlandesas iriam embora no sábado, mas o quarto não ficaria só pra gente porque uns argentinos deveriam chegar. Em vez de ficarmos incomodadas com a falta de privacidade, comemoramos. Imagina que divertido fazer um passeio de barco com argentinos engraçados (sim, na nossa cabeça eles já eram ótimos). Mas eles não vieram, no fim das contas.
Em Paraty, eu fiz uma coisa incrível para os meus padrões sedentários. Uma trilha bem cansativa, bem chata, bem escorregadia para chegar à famosa praia do Caixa D’Aço, em Trindade, um município próximo. Eu adoro aventuras, meio do mato, animais silvestres. Mas não me peça pra andar a esmo em busca disso tudo. Mas lá, quem diria, eu andei como se não houvesse amanhã e encontrei uma piscina natural linda, rasinha, cercada por rochas. Trilhas são recompensadoras, eu aprendi. Mesmo quando você encontra um dedo pelo caminho (juropordeus).
Outra coisa que aprendi sobre mim mesma na viagem é que eu tenho coragem. No dia anterior à trilha, eu desci, contente e quase sem medo, o tobogã da Penha, uma cachoeira linda, cheia de pedras cobertas por limo, o que minimiza o atrito do nosso corpo com elas, formando um grande e gelado escorregador natural. E láaaa embaixo, você encontra o inevitável, um mergulho que te deixa dolorida por causa do impacto, mas muito orgulhosa de si. Quem poderia dizer que eu desceria cachoeiras, daria de ombros às cobras e tomaria doses e doses de cachaça Gabriela, um drinque local?
Mas teve um problema. A tal da trilha me presenteou com um pé bizarramente inchado por conta de uma picada de bicho. No princípio, era o inchaço, depois as bolhas, a inflamação, a cara de desânimo da médica que me atendeu quando retornei, o atestado que mencionava sete dias de pé para o alto, os antibióticos.
Éramos quatro e ficamos num hostel bem honesto, cheio de gringos. No nosso quarto, havia duas finlandesas. Falar com gente que eu nunca encontraria na rua é como sair do meu mundo por algum tempo. Definitivamente, terapêutico. Nunca havia tido um contato tão íntimo com pessoas de outro país, o que pode ser bem irritante se essas pessoas sempre deixam o banheiro cheio de areia da praia. De todo modo, foi legal poder falar bastante com as finlandesas sobre coisas prosaicas (uma delas revelou que não podia sair pra beber porque estava grávida), sobre sua opinião sobre o Brasil e dar dicas de passeios em São Paulo, como nos arredores da Augusta (faltou repertório na hora, é verdade).
Disseram pra gente que as finlandesas iriam embora no sábado, mas o quarto não ficaria só pra gente porque uns argentinos deveriam chegar. Em vez de ficarmos incomodadas com a falta de privacidade, comemoramos. Imagina que divertido fazer um passeio de barco com argentinos engraçados (sim, na nossa cabeça eles já eram ótimos). Mas eles não vieram, no fim das contas.
Em Paraty, eu fiz uma coisa incrível para os meus padrões sedentários. Uma trilha bem cansativa, bem chata, bem escorregadia para chegar à famosa praia do Caixa D’Aço, em Trindade, um município próximo. Eu adoro aventuras, meio do mato, animais silvestres. Mas não me peça pra andar a esmo em busca disso tudo. Mas lá, quem diria, eu andei como se não houvesse amanhã e encontrei uma piscina natural linda, rasinha, cercada por rochas. Trilhas são recompensadoras, eu aprendi. Mesmo quando você encontra um dedo pelo caminho (juropordeus).
Outra coisa que aprendi sobre mim mesma na viagem é que eu tenho coragem. No dia anterior à trilha, eu desci, contente e quase sem medo, o tobogã da Penha, uma cachoeira linda, cheia de pedras cobertas por limo, o que minimiza o atrito do nosso corpo com elas, formando um grande e gelado escorregador natural. E láaaa embaixo, você encontra o inevitável, um mergulho que te deixa dolorida por causa do impacto, mas muito orgulhosa de si. Quem poderia dizer que eu desceria cachoeiras, daria de ombros às cobras e tomaria doses e doses de cachaça Gabriela, um drinque local?
Mas teve um problema. A tal da trilha me presenteou com um pé bizarramente inchado por conta de uma picada de bicho. No princípio, era o inchaço, depois as bolhas, a inflamação, a cara de desânimo da médica que me atendeu quando retornei, o atestado que mencionava sete dias de pé para o alto, os antibióticos.
Ignorei a parte do repouso e fui trabalhar na terça e na quarta, imaginando que era frescura ficar em casa por causa de uma picada e de um pé que mais parecia um pão. Mas diante da preocupação das pessoas fofas com quem trabalho, tive de visitar o médico da editora. E este não deu pra enganar, de modo que estou cumprindo suas recomendações e quase morrendo de tédio e de calor. Não, não são as praias lindas ou a cachoeira que estão intactas na minha memória neste momento. É o pé avariado o inesquecível recuerdo de Paraty.
O incrível tobogã natural
E o pedaço mais raso da nossa piscina particular
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